Frapê
Depois do calor vem o frio (e depois da tempestade vem a bonança)
Era um dia como qualquer outro (mais clichê impossível) e fomos ao nosso passeio matinal de sábado costumeiro, de bicicleta, a não ser pela rota.
Discutíamos a imbecilidade da professora de literatura francesa (?), rindo-nos. Quando chove num parque de grama recém-cortada, o cheiro é irresistível, que tal parar?
Deitamo-nos no meio da grama, eu fechei os olhos e senti a chuva por cair, tocando meu rosto e corpo já um pouco suados, o vento que sussurrava como sempre dando direção perpendicular ao mergulho das gotas, direto à minha boca aberta num sorriso de criança.
Já te disse que adoro beijar na chuva? E as gotas não alcançavam mais meu corpo todo, com o seu por sobre este, mas sentia ainda meu rosto, sentia, sentia, sentia... agora sinto algo mais a molhar meus lábios, os seus.
Deitou-se em mim, como em noites de outrora outro calor, agora só há o seu sobre mim, e o meu sob você. "Mon petit vulcan, you're eruptions and disasters, I keep calm, admiring your lava I keep calm"
Aos poucos já nem sinto mais a grama me espetando o pescoço, mas dentes, mais dentes; não sinto mais minha blusa grudada nas minhas costas, mas seus dedos; não sinto mais minha calça apertada nas coxas, mais dedos.
Cheguei a projetar um sobressalto de surpresa, seu calor aumentava no meio do parque, mas deixei que a chuva o mantivesse só para mim, como minha frieza já o fizera.
Deixei correrem os dedos meus por sua blusa, e sob esta, e deixei que o vento a levasse para longe.
Tomamos chuva lá fora, quem disse que eu só gosto de café quente? Frapê me fascina.
-quer que continue?