Segunda-feira, Dezembro 29

Eugenia uniflora Berg.


Fruto da pitangueira.
Drupa globosa, carnosa, vermelha (a mais comum),
amarela ou preta;
e bastante saborosa.
A pitanga é nativa da Mata Atlântica brasileira.
Na floresta estacional semidecídua do planalto
desde Minas Gerais até o Rio Grande do Sul.
Ocorre também nas restingas.
Também pode ser encontrada
Na ilha da Madeira, Portugal.
A pitanga vem do tupi-guarani,
e significa "vermelho".

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Poema-plágio-minuto.
Com todo meu amor e sentido.
Tirado da Wikipédia.

Cerâmica Crua #2

Nada. Foi assim mesmo que ela começou isso. Mesmo que eu esticasse os olhos e a cabeça, não poderia haver nada lá mais profundo que eu já não tivesse vasculhado; mesmo assim ela começou com esses desolhares discretos cretinos que matariam qualquer fome. Eu senti nada. Assim começou e assim está. Eu percebi e talvez até tenha sentido espanto na hora, mas de tão fugaz e tão abrupto e tão singelo piscara, foi tão rápido que eu entendi a cena e não dava mais tempo de registrar meu espanto.
A partir de hoje, sempre que eu chupar pitanga vou sentir como se fosse ela na minha frente. Seus olhares e delícias não brotaram junto com a pitanga (ah, tantas vezes enterrei a cabeça nas coxas receptivas dela em repouso reflectivo!), mas a pitanga - por sua vez - me dá vontade de chupá-la, e minhas delícias se vão por ai.
Sinto gosto de pitanga e sinto nada e sinto vontade e sinto nada e sinto seus olhraes e sei que ela olha e sei de nada e sei que ela pisca e sei e sinto que ela não sente nem significa nada. Só. Só pisca. Só. Só pitanga.

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Ai.

Sexta-feira, Dezembro 26

As Garras da Preguiça

Estereótipos de meses nunca me deixam saborear o acaso. Pessoas nascidas em Novembro ou Outubro são frutos de paixão carnal. Pessoas nascidas em Julho e Agosto são frutos da renovação. O Zodíaco me desmentiria se pudesse. A questão é que me falta tempo para pensar nos meses e então preparar o incabido. Gosto de surpresa porque tenho preguiça de me proteger. Estereótipos de comida e de sabores nunca me deixam ver que o acaso tem cor. O acaso tem gosto de morango e de kiwi e de carne assada, mas mais ainda tem gosto de mentira e cor de céu. Qual é a cor do céu? Gosto de arder na boca, ardor na boca, a dor na boca e cacofonias similares. Gosto de cacofonar porque tenho preguiça de falar outros sons. Gosto de pimenta. Gosto de sal. Gosto de morango e kiwi e carne assada, mas mais ainda gosto de mentira e cor de céu.

Tédio será o nome do meu próximo urso de pelúcia. Pelas cacofonias do mundo moderno e pelas metáforas do mundo interno. Tédio é parente da Preguiça, quando se encontram, às vezes há festa, às vezes há briga - como em toda família. A Preguiça rege o meu encantamento com o Acaso e o Tédio rege minha força vital, que é o que me desvencilha das garras da Preguiça. Quando se desencontram, Tédio e Preguiça, são sentimentos abstratamente opostos. Pode até parecerem só palavras complicadas e vazias, mas não são. A Preguiça é regozijo se não há Tédio; é aproveitar-se de estar no seu corpo e nada mais, é o mais nobre dos sentimentos para descrever o amor próprio. O Tédio sozinho é a vontade de sair do corpo reprimida por falta de opções plausíveis. O Tédio pode nos levar à Preguiça, como todos os sentimentos de contemplação pessoal. A Preguiça pode gerar o Tédio, quando consumida exageradamente.
O exagero está na medida de cada dia.

Contrário do que possa parecer, o Tédio não é negativo. O Tédio incomoda, é claro, mas o Tédio é um espião do Acaso. Acreditem em Destino ou não, fugir de casa por Tédio pode causar acidentes, ou evitar acidentes. O Acaso é a mão de um deus que masturba o Livre-Arbítrio. Dessa vez são palavras bonitas e quase vazias explicando um conceito vago, mas a Beleza não deve ser desmerecida para quem escreve ou produz por qualquer meio. A Beleza leva o público a saber a Literatura nossa de cada dia. A Literatura é o que une todos os conceitos abstratos e tratados por nome próprio. A Literatura é a mãe de tudo. A Literatura é deus. A Literatura é o deus sem orgulho sujo que se permite trocar de nome para continuar a existir.
Deus é um livro.
Tédio é um urso.
Preguiça é um parente.
Beleza é um condutor.
Livre-Arbítrio é um ser sexuado que olha para e por tudo.
Acaso é uma mão de Deus.
Literatura é um livro que tem uma mão.

E todos os estereótipos que eu vejo são conceitos modernos gerados por todos esses conceitos listados acima. Necessitamos (em níveis variáveis para cada qual) de conceitualização e contextualização. Necessitamos de coerência e coesão em níveis variáveis e duvidáveis para cada qual. Necessitamos de parágrafos e estrofes em casos e níveis abstratos e variados para cada qual. Necessitamos de vírgulas e pontos finais (no plural, sim, mas variando para cada qual). E toda a Literatura que leremos será completa.

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Meu Deus! Quando eu voltar de viagem eu posto de novo. (got it?)