sábado, setembro 24
quinta-feira, setembro 22
Das estruturas octaédricas e tetraébrias dos compostos inorgânicos... e suas cores
"- Qual é mesmo o seu nome?
- Você não lembra mesmo? Eu guardei o seu nome."
Ela tinha me pego um colar com a ponta do carisma. Parecia mágica, mas lidava tão certamente com suas palavras e as mãos que quando eu fui reparar, já vestia no pescoço o pingente encantado. Sorriu e acenou para o ônibus que nos levaria. Senti o fio de lã de prata se prender levemente na porta do carro, um puxão e pronto. Dava pra sentar no fundo e fomos sentados. Do tipo de gente que não cala a boca e invade até o silêncio dos bancos em volta. Opa, uma curva fechada vindo, e ficamos sem assunto.
Achei um cartaz semi-ótico que um hippie deixou no vão do viaduto, falando de amor e das coisas que ela gosta. Só de apontar e sorrir o fio se balança. Paramos ali e leu-me em voz alta os endereços e telefones e as propostas coladas pelo muro. Olhamos pixações e um Deus-vírus matando Nietszche. Era como se equilibrar entre dois postes soltos e ter que ir e voltar esse caminho algumas vezes, tudo questão de transitar energia.
O Centro da cidade tem ruas tortas e esse charme noir-sujo que era impressionante. Foram caminhar por lá. Não é do tipo de coisa que se faz todo dia, nem toda semana, mas também não se sabe dizer o motivo. Seria ótimo passar aqui toda semana. As ruas se rolavam e conectavam em vários pontos e passear virava uma busca pelo Minotauro. Pra ela, que nem lembrava meu nome, era a casa do marco central. De certa forma, ela era um minotauro pra mim. Fui desembolando meu novelo pelo caminho pra ver se fisgo uma gata no final do caminho.
Era ela que sorria agora, olhando a porta da igreja e me perguntando se em algum momento eu iria querer entrar. Falava com riso meio sisudo e meio desesperado, como um trauma alegre. Éramos os piratas daquelas ruas que se entravam, subiam e desciam. Ela tava bem no alto do mastro agora, escolhendo a terra pra avistar. Dissemos algumas coordenadas e eu sei que estávamos realmente atrás do rum daquela costa. Andar ali parecia um navio saindo do arpoador, e indo bem longe pra dentro. Estávamos do lado do porto nessa hora.
"- Como a gente se conheceu, cara? Lembro de ter te visto naquele caminho perto do cinema.
- É, e nos apresentaram naquela semana. Tu falou que lembraria meu nome, porque eu não lembrava do teu, mas esqueceu."
Deve ter sido o vento sul ou só a maré batendo forte, mas o assunto voltou numa ressaca impressionante, caímos na água. Fortíssima que a jogou três metros pro alto e me deixou bem lá embaixo no vale da onda. Fingi que não, mas estava bem preocupado se a queda doeria. Falo por experiência. Era bem alto de onde ela me olhava. Na minha cabeça, era inevitável que ela cairia. Mas parece que outra onda me subiu até seu nível e nos levou ainda mais alto. Paramos num cargueiro que estava por lá. Tentei puxar o fio e estava seca.
Dá pra falar de sexo nesse caminho todo, como metáfora geral. As linhas que não se encontram e as várias ruas que se conectam e o vai e vem e a falta de equilíbrio. Os fios e os puxões, as marcas bem deixadas na bunda dela. A gente sorri bastante e ela causa a maioria. É tudo questão de estudar como se comportam as órbitas da gente. Desce em cima da gente, meio que emanando em tudo que é canto, essa luzinha meio púrpura. Tem que ser sobre sexo.
"- O que cê tá fazendo aí?
- Escolhendo pra onde a gente vai agora"
- Escolhendo pra onde a gente vai agora"
Era um décimo do que tivemos para fazer no dia todo e nenhuma outra tarde me foi tão bem preenchida quanto essa com ela. No final do meu fio eu tinha uma saída e o resto do novelo roxo. Não fisguei gata nenhuma, mas na verdade nem pesquei com tanto fervor. No final das contas, caímos no mar e essa foi menos surpresa do que eu esperava. Já estava quase começando a novela e eu tinha marcado um carteado para ir em dez minutos. Acho que se olhassem por onde os fios se estruturaram, sairiam uns dez parágrafos mal encaixados. Nessas horas os ônibus chegam assim que pisamos no ponto, a luz roxa ia se apagando e eu ainda acho que ela não lembra meu nome.
sexta-feira, julho 22
prosapoética roubada
Abri a janela e veio um cheiro forte e um recado atropelado listando
trigo alface beringela, cenoura batata carne moída peixe assado e frito espinha na boca e liberta o grito da cenora cortada em tirinhas, pepino fatiado em linhas escaupelo o tomate... cura a ferida com o tomilho e enfeitando um supremo de frango com milho.
Eu achei que a vontade de cozinhar tinha virado meu passatempo, mas depois disso essa recado ainda repete e me impressiona...
trigo alface beringela, cenoura batata carne moída peixe assado e frito espinha na boca e liberta o grito da cenora cortada em tirinhas, pepino fatiado em linhas escaupelo o tomate... cura a ferida com o tomilho e enfeitando um supremo de frango com milho.
Eu achei que a vontade de cozinhar tinha virado meu passatempo, mas depois disso essa recado ainda repete e me impressiona...
terça-feira, março 22
Caravela
Note o derrame na maresia,
o rio vem parando de desabrochar.
A gente sente o cheiro da areia
e vai parando de navegar.
o rio vem parando de desabrochar.
A gente sente o cheiro da areia
e vai parando de navegar.
domingo, fevereiro 20
Heavy Load
Vertically structured with metal rings and plastic ideas. A road crossed us a silent bright from the cars and lamplights. The bolts stroke us Godspeed. All we could think of was the bleeding. He took my hand as if everything would just set out to fly. I climbed the doors of perception and the weight was unbearable. We dropped it. I can't smell water anymore. I can't see the floor. I can't take a trip to the countryside by myself any longer. It was rainning, because it is always rainning.
In time, the bleeding stopped, the rain poured again and then no more, washed by the healing light of a thought, we got back on our feet and had another blast of booze and laughters. The rain never stopped, though. Pouring water is a heavy load.
quarta-feira, fevereiro 16
Comunal
Oi - disse a loura tentando ser apática, porque foi tudo o que ela disse. Era noite e estava quente, mas mais nada acontecia. Os copos estavam abaixo da metade e a cerveja já estava acabando. Os bolsos pesavam leves e as ruas estavam se esvaziando. Bem devagar o tempo passava, as pessoas falavam e falavam e só Oi disse a loura do meu lado. Acho que não é bem isso. Ela deve ter dito seu nome também, mas já contei tanto esse episódio e sempre a chamei de Loura. Conversavam todas as mesas ao lado e as cadeiras à nossa mesa faziam mais barulho que ela. Dava pra ver mais pessoas andando pra lá e pra cá, esbarrando e pedindo licença. Dava pra ver o tempo ruir, como dizem. E ríamos, ela ria também. E talvez fossem esse e o som do seu copo se acostando na mesa, que ela providenciava para a música daquela noite.
A noite passou, meu ônibus também e eu estava nele. Por cima da ponte eu imaginei horas de diálogos entremeadas pelo silêncio imposto de uma ida ao banheiro ou outra. O assunto não acabaria. Ela acenderia um cigarro enquanto eu falo qualquer coisa só para matar o ruído de isqueiro que matava o silêncio. Eu desligaria o celular, fingindo estar sem bateria para não nos incomodarem.
O ônibus desceu a ponte e um grupo com uma cinco pessoas me ofereceu a champanha que acabavam de abrir ali dentro. Disse que não precisavam se incomodar, mas insistiram com um calor quase hippie. Aceitei, estava doce demais, mas bom. Tinha um gosto de de-graça delicioso. Meu ponto chegou, eu sai do ônibus com um sorriso e alguns boa-noites. O sorriso se desmanchou quando eu lembrei que nem Tchau disse a loura.
segunda-feira, fevereiro 7
12RockBars: Pretty Pink
The bar was really crowded that night. Her name was Jeanine. I was walking around the crowd, cursing my blatter, the beer and the bastard who got my seat by the counter. I bumped into Jeanine and spilled some of her pink drink. She said it was OK, after all the place was really full of hormone-driven post-teenagers - I think there was a game show from a local TV near there. I didn't know at the time, but she was in it. We only spoke for about five minutes, then she left for a bathroom scavenger quest, telling me she'd be back in a bit. I decided to play rough, so I pretended I didn't care. I forgot to ask her name on purpose. She was incredibly good looking and apparently interesting, of course I'd care.
My plans were to walk around the bar a bit to accidentally run into her again. But moving in that place was something merely fictional. I could see she coming out of the bathroom with a pink stain on her blouse, which made me smile awkwardly because she didn't seem to notice it. Lots of people stopped her on her way to talk for like ten seconds, that's really annoying. I'd look away and talk to other people but always looking back to check her out. Until eventually she looked at the same direction. I fucking froze. Couldn't stop staring. She smiled like a shinning drunk girl would. I tilted my head to the direction of the door. She signaled with her hands "In a bit, I just have to get rid of some boring people and make it to the door, see you in 10". That was a yes. I clawed my way out and in a few minutes I'd go back inside and try to scan for her. She still had the pink stain and a stunning smile as she'd pronnounce Jeanine, and yours?
quinta-feira, fevereiro 3
12RockBars: Come Along
Over the counter there was a knock-knocking with the tip of her nails. I was playing around with a puddle of what I think was a mix of warm beer and glass sweat. I drew a horse. She looked at the dripping boredom and recognized the animal. "Hello... So, what is your opinion on the horses?" I giggled a bit and replied something not really interesting. She awkwardly smiled at me and looked away, still knock-knocking. The bar was nearly empty and only at that point it crossed my mind we both were there waiting for something. But I've been there for so long I wasn't really sure what or why. I ordered another beer and asked for my check. She stopped the knocking. "Hey, can I get a rid-- where you going?" Well I don't have a car but you can come along if you want. Where can I drop you off? Then she told me the address. I bought her a drink and we left. Turned at the right corner from the bar and I took her hand, smiling at her blank stare when she spotted my horse tied up to a parking meter. I got her on it and took a coin from my pocket. She smiled and so I knew we could ride all night.
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Get on my horse, my horse is amazing! Give it a lick...
segunda-feira, janeiro 31
terça-feira, janeiro 25
12RockBars: Reflect
After a few minutes looking at her from a distance and rocking my glass trying to look cool, I still wasn't sure if she'd noticed me. First attempt: walk by her waving at her direction and wait for her response. There wasn't any. So I just walked by pretending somebody was next to the bathroom door and I went inside. Also tried some other less effective or interesting ways to get her attention and nothing seemed to work. So I finished my drink, ordered a couple more but still didn't build up enough courage to just go there and talk to her. I was bored. Got my check, paid for it and on my way to the door I couldn't help but yawning - it was not a very nice night.
As I opened the wooden door, though, I looked back at her one more time and something changed the mood for the rest of the night. I walked out of the bar with a smile about to pop my teeth, because she was also yawning.
segunda-feira, janeiro 24
12RockBars: Raising the Bar
She came in and sat by my side. I was in a weird bar but it felt nice in there, and the beer was good. I have seen her a few times and I am sure she saw me back these few times. She ordered a pint when I told her hello.
It was difficult to look away because from where I was sitting I had a pretty good sight of her cleavage. I didn't know if she noticed but now I think she intended that.
We talked a bit about where we could have met a couple of thousand times before and after the fourth beer I ended up telling her I'd like to have done that before.
She looked at me and this is what she said:
Oh, that reminds me of a professor I had. Once he called some girl in my class a drama queen and almost got sued.
She left the bar about three hours later, holding her purse against my thighs and I first thought she wanted something out of that leaving the bar at 2am. Later I realized she was too drunk to walk by herself but not enough to miss a slap on my right cheek.
That was for the staring at my boobs.
And she leaned against the taxi window as it got away from the curb. I went home.
quarta-feira, janeiro 12
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