Cerâmica Crua #2
Nada. Foi assim mesmo que ela começou isso. Mesmo que eu esticasse os olhos e a cabeça, não poderia haver nada lá mais profundo que eu já não tivesse vasculhado; mesmo assim ela começou com esses desolhares discretos cretinos que matariam qualquer fome. Eu senti nada. Assim começou e assim está. Eu percebi e talvez até tenha sentido espanto na hora, mas de tão fugaz e tão abrupto e tão singelo piscara, foi tão rápido que eu entendi a cena e não dava mais tempo de registrar meu espanto.
A partir de hoje, sempre que eu chupar pitanga vou sentir como se fosse ela na minha frente. Seus olhares e delícias não brotaram junto com a pitanga (ah, tantas vezes enterrei a cabeça nas coxas receptivas dela em repouso reflectivo!), mas a pitanga - por sua vez - me dá vontade de chupá-la, e minhas delícias se vão por ai.
Sinto gosto de pitanga e sinto nada e sinto vontade e sinto nada e sinto seus olhraes e sei que ela olha e sei de nada e sei que ela pisca e sei e sinto que ela não sente nem significa nada. Só. Só pisca. Só. Só pitanga.
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Ai.
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