Segunda-feira, Fevereiro 9

C vs. M

A era M volta. E destrói as fagulhas e farfalhos de uma C bem estruturada - diria, programada. Nós somos capazes de programar nossos imprevistos, e isso nos torna especiais. Gosto de usar a palavra especial, por que seu significado é tão facilmente interpretado, mas tão porcamente lembrado. Quando o mundo resolve chorar, as estrelas resolvem mudar de cor. Porque tudo que tem sentido, é intenso demais.
Com poucas palavras, ela salvou um dia que começara mal.
- Oi! Nossa, faz tempo que não nos vemos, como você está?
E eu me sigo e repito todas as fáceis perguntas simples que têm vida-útil eterna e lindíssima função de evitar 'até logo'. Custa tanto conseguir perguntar. Custa tanto conseguir evitar o 'e você'. Custa tanto eu perceber que meu lidar com pessoas é estranho - desafiando qualquer conceito de normalidade fajuta da sociedade moderna. Mas voltando às poucas palavras, mártires e motrizes, - pela obviedade sã de qualquer contexto em que se usaria mártir e motriz - o dia corria mal e ela resolveu que me analisar não seria má idéia.
Dois olhares e o mundo parece que foi feito mesmo em seis dias.
Para réplicas, esbocei 'hum' e 'uhum' e 'ah sim' e assim foi que ouvi pela segunda vez-tempo dizerem:
É porque tudo que tem sentido, é intenso demais.
Com uma lua M, cortando os crescentes e cobaltos tão atrevidos do céu, o dia foi embalado pelo Universo. E para descobrir que sou míope, revi nas fotos de dois anos atrás que sempre há luz mais birlhante que a Luz. Eu estava na Luz e a saída brilhava mais e eu sei que a saída não brilhará tanto assim depois que eu sair, toda luz em fim de túnel é relatividade inescrupulosa e - porque não? - safada, com suas ilusões ridículas. Sair de um túnel para um sol brilhante e descobrir que o brilho do sol pode nem ser mais forte que as luzes do Metrô, só faz mais sentido para dizer que a Luz é bilateral e sempre brilhará mais que você, quer você vá para a saída ou para mais dentro da Luz. No final, isso é porque tudo o que tem sentido, é intenso demais.
E a luz é M.

1 comentários:

littlegiraffe... disse...

É pouco o que faz sentido, será por isso que a intensidade não assusta?

O legal da luz é que ela nos permite uma pequena parte de sua grandeza. Aquela que nos faz ver, acredito.

:*