Terça-feira, Maio 5

Prosa Poética #1

Durante nosso breve instante - eternamente breve - pelo gosto que nos leve, não deixamos luz atravessar nosso corpo ímpar. Os vistosos olhos a sós, vistos os olhos nossos, não tracejam nada mais do que desejam, bem à sua frente. De repende, caíram as luzes do céu sobre nós que, sem beirada de gosto, rezamos nas cruzes por nosso um rosto. De cima, a lua farfalhava - e espalhava - seu brilho em pontos-estrela e Dalva ferina. Enquanto, debaixo, os dentes descrentes arrastavam-se em si tanto gosto vermelho - meio rosa. A uma boca que temos goza - de prazer, depois de dor - quando diz até logo, mas pensa na merda do tempo que não passa quando o corpo se separa, assaz. Aqui, espero até que os dias se beijem e nos deixem, enfim, em paz.

1 comentários:

littlegiraffe... disse...

Tem dias que se beijam quase todos os dias :)