segunda-feira, março 22

Pinophyta #1

Dessa vez você passou dos limites. Digo, quem você pensa que é? Acha que tem o direito de fazer isso comigo? Quando você vai aprender? Não... Nenhuma dessas era uma boa frase para falar quando ele aparecer. Eu preciso dizer algo que o faça se arrepender de ter cruzado meu caminho da primeira vez, três anos atrás.

Três Anos Atrás.

Eu já disse, estou atrasado, tenho que pegar os pincéis na secretaria ainda. Falo com vocês depois da aula. E assim que ele foi, primeiro até a secretaria, pegar os pincéis e depois até a sala 02. Olhou pela janela primeiro, como sempre fazia. Uma daquelas janelas pequenas com vidro espelhado - servem para as coordenadoras olharem para as salas sem serem vistas. Com a olhada rápida, percebeu quem estava lá por alto. Empurrou a porta, como sempre fazia. Disse um olá rápido, como sempre fazia. E quando olhou para a direção da porta novamente...
Eu sei que é o tipo de coisa que não se conta como estória, mas realmente as pernas não se mexiam e todas as pessoas do lugar explodiram em uma névoa clara e sem cheiro. Ele olhou para o rosto dela, na primeira cadeira do canto, logo depois da porta, quase como se se escondesse dele. Mas sorria. Pensou em ir falar com ela. Pensou em perguntar-lhe o nome. Pensou em sair da sala, mas era a sala certa. Então porque não tinha aparecido antes? Estaria na sala errada? E de repente toda a névoa se condensou e choveram os outros alunos em suas cadeiras. Então se virou e foi colocar as coisas no lugar. Obviamente, o episódio de sua paralisia não foi perceptível para ninguém. Mas para ele. E foi durante a leitura da chamada que descobriu seu nome.

Continua...