terça-feira, março 30

Pinophyta #2


Os dias foram, sem oxigênio, correndo para se esquivar dos olhares e cãibras que aquilo tudo seria. Combustão espontânea é apenas o final da resistência que valia a pena nutrir - e foi isso que aconteceu naqueles dois primeiros meses.
É um palito de fósforo escolhido a dedo aleatório e meio desajeitado, deixando cair uns e outros, sendo arrastado violentamente - Justa e Hediondamente - pela lateral da caixa, quebrando-se aos poucos, fazendo o som irritante e esperado, resistindo à pressão até a primeira pequena explosão. Desassossego. A primeira que leva a algumas outras. E as outras trazem o fogo. Agora volta a alegoria da aleatoriedade, algumas vezes, a chama corre para cima e risca de cinza-fumaça a linha sobre o palito morto. Algumas vezes, desce correndo e queima rapidamente o palito, formando a parede brilhante na horizontal comprida da madeira delicada. Mas dessa vez, a chama se arrastava tão lentamente e de tão tranqüila, ainda que imponente e destrutiva. Riscava a madeira e nem respirou nos dias sem oxigênio para chegar ao fim do palito e morrer nos dedos assustados. Deixando a linha e a fumaça no final do processo, com o cheiro que reincide e incomoda.

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