As guitarras tocavam com tanta fluidez quanto alguém que sabe o que está fazendo, A conheci com olhos pedintes, sorriso e hálito etílicos e abraços eólicos nas poucas palavras. Toda música que quer tocar para ela, sente a necessidade tremenda de ser forte, intensa e gloriosa de quando em vez. A introdução bastante conhecida conectada e copiada de Under Pressure ficou bem colocada agora. Bastou para nos tirar do transe lento da transa do esmo do mundo com as aparências. Ela é o Hard Rock. Sem excesso de poder e sem sequer nem querer. Loren e a falta do que fazer me levaram para longe do escritório a que eu devia tornar. Aspira um grande ego, ainda que depois de passar por seus olhos de frande confusão - e algumas barreiras sociais lancetadas no mármore de desilusão - não haja mais nada magnífico, digo, não haja nada mais magnífico nela do que dentro das várias garrafas que destruímos. Um olho verde de Capitu desleal que brinda comigo e brinca com o castanho real simplista quase mel e adorável. O vinho que ela bebe é feito de algo mais que uvas, Othello. E agora trabalhamos juntos mais do que fazemos qualquer outra coisa juntos. Desde que voltei da Irlanda, perdemos bastante daquela intimidade gostosa que fizemos como trovões em chuvas desabrigadas do lado de piscinas, há anos. Ainda lembro de vê-la arremessando meu copo longe, na raiva que sentia de outra pessoa e esqueceu que eu estava ali até o momento de precisar de um abraço que não a julgasse ou a pedisse novamente em namoro. De tempos em tempos, manda alguns artigos bem escritos sobre a física suja estranha que outras pessoas não viam nas notícias de rua. Para a revista, várias crônicas, dois contos, raros poemas e uma série em oito capítulos de um quase romance. O mundo escrito e silencioso do rockzinho pesado da Dubberstein.
Terça-feira passada, na frente da porta de vidro havia um envelope sujo e enrugado, pequeno, vermelho e pardo, pesado e charmoso. Escrito de pincel atômico em letras de pincel atômico vermelho em um dos lados: J.C. solene e altamente adjetivante. Abaixo-me e arrumo o embrulho em minhas mãos, derramos meu café no envelope, mas mais ainda em minhas calças e no chão. Nada preocupante. Pouca dúvida ronda e alguma curiosidade implica a abertura sutil que lhe rasga as bordas dobradas em marrom claro. Meu escritório está vazio. Ultimamente, produzia efetivamente essa revista pequena de continuidade duvidosa para mostrar a literatura estranha que me agradava, além dos poucos livros que editava mais por sustento que por gosto. No embrulho, várias fotos - algumas que eu conhecia, outras não - e páginas manuscritas brincavam de tentar me cortar enquanto as passava para trás. Olhei rápido e não li tudo, estou com pressa.
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Quanto tempo!
Um comentário:
Prefiro I-Phone
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