domingo, agosto 8

Fortaleza


As torres castanhas se cadenciavam
             [são moldura para as duas janelas torrentes.
A porta está fechada e sorri como a essência primordial
             [o grito da bela fachada.
Ainda que o tempo esteja bom e as listras
             [biancas protejam o castelo
Ainda que a cerveja esteja gelada e os quadros
             [dispersos estejam agora conectados
Ainda chove demais sem molhar os cavalos que correm
             [e são felizes.
Ainda chove sem olhar os beiços que se perdem no poço fundo das lamentações
             [e as cores.

Ouro é seu olhar. Ouro é se olhar.
Giz e chão são seus braços, as mãos e o mundo inteiro.
O superoutro está vindo para nos guardar a chuva
dos becos tortos que desembocam na majestosa viela.
Fecha-se a grade atrás de si,
engole as lamentações do poço,
"Sorri, Bela, Sorri"
E sorri, ela sorri,
mas os olhos mantiveram-se no longe
inconstante da corrente
de delicadas chuvas subversivas.
A chuva diz "Não Caio" e escorre.

Eu a perguntei com os olhos
"Onde você está?" Ela olhou pra trás e não me ouviu.
Olhei de novo para ver onde estava, aproximei meu olho.
Estava no mesmo beco no final da mesma
Viela
Na Fortaleza de onde saem as asas
(ainda que hoje ficaram no violão em Si).
As torres fecham seu rosto;
analisa e desconversa;
olha para todos os lados
e sorri sem significar nada.


--
I've got the spirit, lose the feeling

Um comentário:

Anônimo disse...

Nossa! Não sei se amo ou me assusto, hehe.
Acho que a idéia de alguém me analisar e não o contrário me deixa um pouco surpresa. (:
Mas até uma fortaleza tem suas fraquezas, eu não sou diferente.

Muito bom texto e fotografia, João!!Orgulho de você, guri. (: