quarta-feira, maio 2

Unbelievable

"If it's not love
Then it's the bomb
the bomb the bomb
the bomb the bomb
the bomb the bomb
That will bring us together"


Toda vez que a música tocava o quarto sorria. Moz' sorria-me naquelas letras inflamadas e nas danças sem jeito de sempre: seu ápice de charme (depois do topete, obviamente).

"So never will wine-red rose or white,
Petal by petal, fall
On that stretch of mud and sand that lies
By the hideous prison-wall,
To tell the men who tramp the yard
That God's Son died for all."


Mordia-me o lábio ao ouvir-me recitar, gritava e gritava-me que queria me entregar, mas Wilde, no seu homossexualismo apical me deixava entristecer os pedidos da bela voz que me mordia os lábios.
E Moz' voltou absurdamente poético.

"On the Leeds side-streets that you slip down
Provincial towns you jog 'round
Hang the DJ, Hang the DJ, Hang the DJ
Hang the DJ, Hang the DJ, Hang the DJ"


E Wilde confirmava o absurdo lírico em lírios liricamente presos, digo, rosas...

"He lay as one who lies and dreams
In a pleasant meadow-land,
The watcher watched him as he slept,
And could not understand
How one could sleep so sweet a sleep
With a hangman close at hand?"


Moz' discorria sobre o absurdo, liricamente.

"Last night I dreamt
That somebody loved me
No hope, no harm
Just another false alarm

Last night I felt
Warm arms around me
No hope, no harm
Just another false alarm"


E Wilde...

"But there is no sleep when men must weep
Who never yet have wept:
So we—the fool, the fraud, the knave—
That endless vigil kept,
And through each brain on hands of pain
Another's terror crept."


Nesse dado momento eu fiz calarem-se, minha atenção já estava demasiada tomada por outras palavras de outras vozes e de outras líricas e de outras mesmices e suas metamorfoses.
Que dirá quem me visse sendo consumido por aqueles lábios intrepidamente e abruptamente deliciosos, quem quisesse Moz' que dissesse. E disse.

"Delight
See our faces are both shining
And I've never felt so wanted
Than when you cling with arms and legs

I tremble
You crush my burning lips like ashes
With so much skin to travel over
While my head spins (and you knew it would)"


Mas Wilde calou-se, não queria mais dizer sobre as pernas e seus lábios me querendo tanto como se quisesse a água purificada num purgatório, ou a vontade melancólica nos campos de margaridas altas e belas. Eu quero.
Mordia, mordia, mordia. E no alto de sua beleza violenta eu quis não querer parar, mas queria-me e queria-me mordendo meus desejos, fui degustado.
E como num piscar de olhos eu abri meus olhos, mas o teto do meu quarto não tinha as lâmpadas que eu queria, a porta do meu quarto não tinha a maçaneta que eu queria, a sujeira no meu chão não era a sujeira que eu queria, a vontade que me tinha não era a vontade que eu queria, a cama do meu quarto não era a (sua) cama que eu queria. Era a sua cama que eu queria, e eu repetia-me e me repetia que queria a sua cama, e as suas lâmpadas e as suas pernas e a sua sujeira e a sua maçaneta e o seu senso crítico e a sua voz me dizendo o que o Wilde disse, e a sua mão me dando a música do Moz' e a sua pele me chovendo na noite mais do que quente, era você que eu queria/é, quero.


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Disclaimer e direitos:
Respectivamente, Moz' - Ask; Panic; Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me; Skin Storm
E Wilde - The Ballad Of Reading Gaol

Olha, pode parecer meio sem sentido, mas só faz jus ao título, entretanto, sonhos nunca tiveram que fazer sentido.

Ah, e me desculpem, só que se eu tive que explicar é por que não foi bom.

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