terça-feira, outubro 9

Em último caso, Trepanação

Acenderam as luzes, prepararam os instrumentos, limparam tudo, uma hora para o paciente chegar. Os enfermeiros estão ansiosos, mas ninguém viu o cirurgião. A operação é arriscada e só ocorrerá em caso de emergência, mas estão esperando preparados para alguma emergência.

O paciente entrou. Os enfermeiros envergonhados analisam o estado do paciente enquanto o médico não chega. O tempo passa e está tudo normal, nada de novo.

Entrou o médico no salão principal, ele chegou como música e o paciente o viu. A frequência cardíaca diminuiu e logo em seguida aumenta bruscamente. Temos um paciente ansioso, ele geme que quer ser operado hoje mesmo. E o tempo normal foi extinto e ninguém saberá quanto vai demorar até que acabe a cirurgia. "Vamos doutor..."

"Levem-no para a sala de cirurgia."

Diagnóstico rápido e operação precisa, plano estabelecido. Tudo ocorre como um jogo de cartas: alguns trunfos do paciente, alguns blefes impacientes, uma descoberta do médico, uma revelação, mas o paciente só ouvia o silêncio quebrado pelo apito do aparelho de eletrocardiograma.

Certo, hora e meia depois do início (deu para contar) e o paciente estava com uma cara ótima.

"Tudo correu ligeiramente bem. Tentou-se um transplante, a princípio, mas achei que os nossos organismos não estavam preparados para isso, preferi manter as coisas como estão. Entretanto, consegui reaver o bom funcionamento do sistema cardiovascular, que parecia ter vida própria! Guardei uma parte do tecido cardíaco como recordação, não fará falta ao paciente, mas me deixará feliz. Em resumo, a operação fracassou, digo, não houve operação; depois de aberto, eu só olhei o que havia de errado (e eu não esperava que fosse aquilo), então bastou uma massagem no ego e um pouco de adrenalina e está tudo bem. Ele está pronto para uma próxima! Obrigado."


Cumprimentaram-se cordialmente e se despediram. O médico saiu e o paciente tentou dizer outra coisa, mas ele não ouviu, foi para casa. Dormiu impaciente querendo que o médico soubesse.

"Foi literalmente uma injeção de ânimo. Eu voltarei ao hospital algum dia para o transplante, por enquanto só virei aqui para diagnósticos e um pouco de atenção. A anestesia foi ótima, mas eu não dormi. Pude vê-lo guardando, em um vidrinho, um pedaço de carne, não sei o que era, mas o médico parecia bem feliz com aquilo. Eu sei que ele ainda pensa no transplante. Mas essa realidade não está próxima."

Agora ele irá procurar pelos becos ou ruas ou casas por alguma dose grátis de ânimo. Já sabe que o futuro foi para longe o suficiente para ser pensado só depois.

"Vou abrir a cabeça para arejar um pouco."

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Ah, não perguntem.
Mas primeiro... Trepanação.

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