Hoje eu decidi que vou jogar a garrafa no mar. Não quero destruí-la, mas guardá-la como guardei eu já não posso, e nem posso abrí-la para beber mais. Jogarei-a no mar. Ficará flutuando e degradando-se aos poucos. Eu sei que não é a melhor forma de resolver o problema, mas o mar é uma tentação sem igual. Pode ser que isso prejudique o mar, se eu não tirar a garrafa de lá a tempo.
No meu mundo, o conteúdo da garrafa nunca irá se dissipar, enquanto permanecer dentro da garrafa. Se um dia a garrafa se desfizer no mar, o líquido viciante tornar-se-á parte do mar. E a quantidade que irá se dissipar é tão grande que o mar todo vai se encher com o prazer que isso representa, mas o mar nunca mais será o mesmo.
Este sentimento aqui é como uma garrafa de Coca-Cola (desconsiderando a imagem do capitalismo que essa marca representa). Quem vê de longe fica com vontade de chegar perto e pegar um pouco. Quem conhece o que há por dentro, sabe como é gostoso. Mas por causa da forma como surgiu, acaba fazendo mal.
O meu mundo concebeu a Coca-Cola perfeita. Sem o peso da culpa por causa do capitalismo onipresente, sem os malefícios da composição química, com gelo, muito gelo. Mas a ocasião fará a bebida. Por enquanto ela está dentro da garrafa dentro do mar e contém a mensagem mais importante do mundo.
Um dia, um de nós dois - eu ou o mar - vai experimentá-la e portar a mensagem, mas eu já conheço a mensagem e o prazer da bebida. Entretanto entre tanta alternativa, afinal no final eu sou um rio desde o começo, desembocando tudo que eu sei no mar, tudo que provei, tudo que fiz, tudo. O mar me conhece, está dentro de mim e compartilha meu vício.
A decisão está tomada, a garrafa vai flutuando no mar, vence o tédio relendo a mensagem que carrega e aos poucos vai se degradando. E só me resta dizer uma coisa: eu quero um drinque.
Um comentário:
Espero que volte. Sempre.
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