Na cidade onde só chovia luz
Dava pra ver o calor.
E o suor que caia fazia correnteza
O que fazia mais calor eram os corpos
Menos que seus toques.
Voando por sobre a tempestade
Subjugo o branco embaixo
Por falta de plenitude e consistência
Deixar cair a luz não parece um trabalho
Que nos consuma mais que a identidade.
Pela frente o mundo é outra volta
Que se faz olhando suas costas
Enquanto a porta se fecha e bate
Para que não seja mais vista.
Sobe o céu e ainda mais longe
Dá pra ver o tempo ruir
Falecendo surdamente perto do Sol
Onde mais estaria o tempo
Se não girando através das nossas órbitas?
Olho ainda para baixo e para o branco
Quando vejo suas mãos esculpindo buracos
As nuvens de cerâmica perdem a forma
Para apoiarem sua ascenção.
E todo o sentido agora
Que antes era inapto de verter
Desce da minha janela até a sua nuvem
Como cordas de fibra moral
Que amarram os eixos do nosso tempo.
Nosso espaço.
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