Atualizar.
As palavras vão saindo no mesmo ritmo da batida nos fones de ouvido. A caneta tem várias pontas e uma cor. Aos poucos as palavras começam a desenhar um rosto sorrindo que passa a dois rostos sorrindo, que passa a buscas por passagens. Inevitavelmente levando a uma viagem.
Fechar.
O avião demora menos no percurso inteiro do que eu demorei no meu percurso casa-poltrona D13-- apertem os cintos e desliguem os aparelhos eletrônicos enquanto decolamos, obrigada. Então eu guardo a caneta.
Fechar.
Abrir.
Eu já quis estudar as nuvens. Já quis estudar o céu para saber quando vai chover e para saber quando um meteorito vai congelar a Terra de novo. Já quis ver secar a chuva antes de as gotas tocarem o chão. Hoje eu sou professor de inglês.
Fechar.
Abrir.
Nessa parte, o vôo se torna lento. Parece que estou surfando, sentindo a ondulação logo abaixo do meu corpo, enquanto escrevo e vejo as nuvens subindo e descendo. Digo, imagino que seja como surfar, mas eu não sei surfar.
Atualizar.
Acho fascinante que as nuvens são bastante extensas. O suficiente para nos fazer achar bobeira procurar um padrão. A metereologia e os satélites da Google já conseguiriam tirar uma série de fotos e estudar os padrões que as nuvens formam, mas eu acho que eles não encontram mesmo assim. Gosto disso. De quando em quando, quando eu viajo, gosto de ver da janela as nuvens repetindo.
Eu repito bastante.
Atualizar.
Vou pousar logo e então tenho que guardar a caneta de novo, e dessa vez acho que vou demorar até pegá-la de novo, não gosto de escrever durante as viagens, prefiro guardar as impressões para fazer uma coisa geral no fim. Talvez por isso não consigo escrever coisas interessantes, acho que esqueço no caminho. Dessa vez, de novo, vou ver alguém e a minha viagem terá compensado o percurso casa-poltrona D13.
Guardando canetas, volto depois.
Salvar. Fechar.
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Eu sempre quis usar esse título decentemente
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