Era um ser tão pequeno
Que só podia viver no escuro
E sem ar.
O caráter particular da luz
Corroia sua pele
Com os vários e rápidos
Choques contra seu corpo.
O ar nem soprava e o carregava
Grãos de areia eram planetas
E orbitaria neles.
Quando encontrou o canto
Em cima da aba esquerda
Embaixo da fita preta rendada
Do chapéu daquela moça,
Conseguiu assistir
Péssimas condições físicas
Unânimes condições motivacionais.
Via a moça, tão grande e bonita
Como um enorme ser de cor.
Ele sabia, contrário a nós
Que cor não é infinita.
A luz bate nas pessoas que a rebate
E a luz rouba um pouco de cor
E depois de novo
E depois de novo
E de novo sem parar depois.
Já me contou a estória
De quando era um grande ser de cor
Amava a luz e sentir o vento na cara
Gostava de andar sem roupas
Pois sua pele era de uma cor diferente.
Mas então desceu o calor quente.
As janelas de sua casa retraíam
As amarelas línguas de luz
Que o ângulo do Sol fazia cansar.
Resfolegava o mundo inteiro.
Arfando.
As línguas trepidando como cachorro carente.
E todos lá foram dizimados
Muitos de uma vez muitos de outra vez
Depois aos poucos
Quase um por um.
E só ele sobrou.
Me disse que fez um juramento para a cor.
Disse que viveria sem ela toda.
Viveria sem luz e viveria sem ar
Para poder assistir toda a cor
Sem poder tocar.
2 comentários:
o que SP faz com as pessoas... inspira.
o que SP faz com as pessoas... inspira.
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