Num meio-dia qualquer, deixei que o vento batesse na janela. Não era comum que eu me deixasse levar pelo vidro decadente, mas a condição favorecia, não quis o vento quente desse meio-dia. Cesse. Séssil. Movimento inabalavelmente nulo, consequentemente inerte. Graforréia.
No meio do desastre vermelho que ocorria no horizonte: a maior estrela cadente que já vi; sorri, mudo, para dois mundanos pássaros que me vigiavam do poste. Minha tarde foi-se caindo e sumindo e caindo. Azulando um duplo-sentido. Duplo. Bifurcado como os pássaros insistentes.
Nomeio o anoitecer meu amor, a maior das belezas benquistas, benvistas, benvindas. No meio da noite, não há pássaros, nem vermelho, só o azul seco que aprumava-se numa cinza úmida, sob o abismo urbaníssimo, digo, suburbaníssimo.
O dia foi passando e passou, a noite cessou seu movimento, a inércia saiu das minhas leis, o tempo perdeu seu espaço e fiquei a vagar no minuto que envolvia meus sessenta segundos risos.
Saí do vidro. Segurei a velha xícara rachada com café. Sorvi, sorrindo, soía.
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E o que seria noigandres para mim? É a personificação da graforréia.
Fui ao dicionário ver se achava alguma definição para graforréia, nada. Fui ao google, e lá parece ter um projeto musical com esse nome, não é a mesma graforréia, a minha é a livre vontade e expressão de escrever e de se exprimir, me exprimir, pra ser sincero. Graforréico.
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