Nunca realmente saí de férias, não fosse uma ocasião. Ainda do mesmo escritório, mas em tempo e situação diferentes, escrevo um bilhete intitulado Oceano e Parede. Seu nome é Ohana e ela merece muitos bilhetes. Depois da Paula, ela foi a mais interessante das cenas de cinema que me escreveram algumas partes da vida. Nós nos conhecemos há muito tempo atrás, durante uma dança de tango na grama molhada de um grande parque. Com um sorriso e quase um nome, resolvi tirá-la para dançar, arriscando minhas chances. Dançou comigo feito doce de leite sendo misturado durante horas e horas. Era de fato tão doce quanto. Digo doce de leite pela cor dos olhos que não me deixam dormir ainda. Em uma das noites de chuva pequena, estávamos na varanda. Dava pra ver o mar. E no mar vimos dançarem também as ondas contra os muros que me lavam a cara com suas tatuagens obscenas e mal desenhadas.
Os bilhetes se escrevem de noite, quando as pessoas não se lembram como começam a dormir. E falamos ao esmo gostoso de uma brisa gelada que entra pela janela e sai nas janelas. Olhamos para todos os bilhetes de quando em vez, como que tentando acordar para como isso tudo se deu. Não posso, com certeza, dar certeza de que ela também sorri ao reler nossas histórias, mas sei que eu certamente carrego um daqueles sorrisos de avestruz e tento esconder minha felicidade de todas as coisas horríveis que eu penso sobre ela. Não há mais respeito que não seja elucidativo entre nós. Não há mais interferências nem sequer um traço de qualquer dos olhares inconspícuos de antes. Depois do que houve na segunda viagem que fizemos, perdemos o interesse de nos escondermos de alegria, vergonha ou tristeza. Éramos seis vontades dentro de uma tigela de vidro.
Compramos passagens de ida, na época, para a Good Ol' Dublin town. Conseguimos, em uma faculdade de baixos padrões, visto de estudantes para ficarmos dois anos como cidadãos europeus. Quase um mês depois, saímos da Irlanda e fomos ver o que mais havia na Europa. Ambos realizávamos sonhos a cada passagem de trem que gastávamos para lembrar de cenas de filmes bonitos que vimos juntos e filmes ainda melhores que vimos separados. É comum de acontecer. Acredito que hoje essa é a garota mais interessante que me mexe com a cabeça. Tentamos refazer algumas trilhas de outros filmes. Procuramos por arte nas ruas e sujeira nos museus bem cuidados. Sentávamos em Madrid cantando músicas americanas. Viajávamos em albergues e nos fingíamos de todas as nacionalidades. Essa diversidade era, na verdade, diversão para os copos que enchíamos.
Nunca esquecemos, entretanto, o movimento intenso que as ondas faziam na parede. Sem jamais derrubá-la, sem jamais contornar. O mar, naquela região, tornou-se dependente do muro de concreto que o quase violava. E eu tenho a forte impressão de que o muro cairia se o mar fosse embora um dia.
Os bilhetes se escrevem de noite, quando as pessoas não se lembram como começam a dormir. E falamos ao esmo gostoso de uma brisa gelada que entra pela janela e sai nas janelas. Olhamos para todos os bilhetes de quando em vez, como que tentando acordar para como isso tudo se deu. Não posso, com certeza, dar certeza de que ela também sorri ao reler nossas histórias, mas sei que eu certamente carrego um daqueles sorrisos de avestruz e tento esconder minha felicidade de todas as coisas horríveis que eu penso sobre ela. Não há mais respeito que não seja elucidativo entre nós. Não há mais interferências nem sequer um traço de qualquer dos olhares inconspícuos de antes. Depois do que houve na segunda viagem que fizemos, perdemos o interesse de nos escondermos de alegria, vergonha ou tristeza. Éramos seis vontades dentro de uma tigela de vidro.
Compramos passagens de ida, na época, para a Good Ol' Dublin town. Conseguimos, em uma faculdade de baixos padrões, visto de estudantes para ficarmos dois anos como cidadãos europeus. Quase um mês depois, saímos da Irlanda e fomos ver o que mais havia na Europa. Ambos realizávamos sonhos a cada passagem de trem que gastávamos para lembrar de cenas de filmes bonitos que vimos juntos e filmes ainda melhores que vimos separados. É comum de acontecer. Acredito que hoje essa é a garota mais interessante que me mexe com a cabeça. Tentamos refazer algumas trilhas de outros filmes. Procuramos por arte nas ruas e sujeira nos museus bem cuidados. Sentávamos em Madrid cantando músicas americanas. Viajávamos em albergues e nos fingíamos de todas as nacionalidades. Essa diversidade era, na verdade, diversão para os copos que enchíamos.
Nunca esquecemos, entretanto, o movimento intenso que as ondas faziam na parede. Sem jamais derrubá-la, sem jamais contornar. O mar, naquela região, tornou-se dependente do muro de concreto que o quase violava. E eu tenho a forte impressão de que o muro cairia se o mar fosse embora um dia.
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