Ela abriu o zíper e o som que eu ouvi foi de dois palitos de fósforos - se ainda se lembram - sendo riscados ao mesmo tempo. A pequena explosão depois do som riscado rasgando os tímpanos apurados de um bom ouvinte. Atrás do fecho éclair havia a pequena coleção de livros. Retirou e com um sorriso de urso me mostrou, ainda sentaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaada na sua cadeira. Os palitos de fósforo queimaram inveja e um quê de curiosidade nos outros. Não comentaram.
Todos os passos que me fez fazer até lá contaram como caixas e mais pequenas caixas FIAT LUX desperdiçadas antes das seis da tarde. Sorriu ainda o mesmo sorriso que não quis sair do rosto. Se eu fosse um so-
riso não sairia do rosto dela. Disse que queria dizer mais tarde e eu disse sim.
Todos os dias sai quase antes de todos, porque anda mais rápido do que fala. E quando vamos conversar, me espera. Como de praxe, esperou todos deixarem a sala e veio me conversar sem que houvesse contato aluna-professor. São duas pessoas diferentes: a que me é aluna e a que me queima fósforo por nada.
Andamos até umas cadeiras de plástico riscadas pelas pessoas que andam por ali. Sentamos como chuva e ficamos conversando por cerca de quarenta minutos sobre pessoas que já morreram. Cerca de dez minutos sobre poesia. Quase quinze minutos de pais. Falamos de trabalho e sufocamento. Nada sexual. Nem falamos sobre nós. Não amarramos sobre relacionamentos e nem falamos cordas.
Levantou-se
sem dizer que queria se levantar. Mas de fato foi natural. Levantei. Andamos um pouco até a reunião dela. Com ondas passando nas nossas bocas e cordas. Dizíamos coisas como a maré sempre baixa de Guarapari. E quando começamos a espoucar algo das espumas que queria me escorrer da boca, chegou sua reunião e nos vimos no meio da frase. Dizendo tchau. O momento estranho de abraçar/beijo no rosto/aperto de mão/acenar sem contato ou agarrar-em-um-abraço-consistente-para-dias-digo-noites-sem-amanhã? Meio beijo no rosto e uma mão pousada com todo o desconforto no ombro.
Dois passos (depois) do para-
peito do prédio de onde acabava de me jogar, olho para trás (ou para cima) e a vejo sorrir rindo alguma coisa com as amigas, enquanto olha desesperadamente para o outro lado. É feio olhar assim.
Nada disso acontece em Guarapari, quando eu quero. Ainda assim.
Você vai me fazer querer fumar.
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E eu achei minha metalinguagem finalmente!

Um comentário:
vc cria otmas imagens com as palavras, consigo imaginar td q tem no seu texto
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