quinta-feira, junho 14

Dois dedos de minutos.


Ela fez uma trança bonita no seu cabelo dele, despediram-se.

"Vou sair daqui por uns tempos, preciso me dar um tempo para refrescar."
Abriu a janela, olhou os carros lá embaixo, fechou-a e desceu pela escada quente, o elevador estava quebrado. Saboreando o frio, fechou o casaco e andou dois quarteirões, parou. Comprou dois expressos, sempre quis segurar aqueles copos que via em filme.
Perto de casa, ele a viu nua correndo pela rua, tropeçando no meio-fio e caindo na neve, ela levantou-se rápido e correu na outra direção, um ônibus, Nãaao!, ela sumiu. Ele fitou o tédio do motorista. Piscou seus olhos verdes, olhou para o alto do prédio, a luz do seu quarto estava acesa. Teve medo de subir, ficou ali parado, com os copos isotérmicos nas mãos, corando com o frio, brincando com a fumaça da boca e dos copos.

Subiu, seus tempos tinham cinco minutos. Colocou o copo sobre a mesa, ao lado das passagens, apagou a luz do quarto, olhou uma foto dos olhos tranqüilos dela. Penteou e lavou o cabelo, bebeu os dois expressos e foi deitar-se.

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