quinta-feira, junho 21

Trust Me

- Mas é tão lindinha, por que você não deixa eu olhar? Não gosta?
- O problema não é esse...- Eu senti sua face ficar quente e sabia que estava ficando cada vez mais vermelha.
- Não precisa ficar assim, querida, mas... não te entendo.

Falava de uma marquinha discreta que tinha ao lado da virilha esquerda. Não sei se era pinta ou o não sei o quê. Eu achava que parecia-se com Bora-Bora, mas não parece, talvez lembre Madagascar, talvez as Malvinas, digo, a parte da esquerda. Tanto faz, era linda.

- Ainda acho meio constrangedor ficar assim. O que há de tão especial aí? - depois de dizê-lo, paramos e rimos um pouco, meu rosto apoiado em suas coxas, beijei-as enquanto olhava seu riso largo fitando o teto com os olhos fechados, um pecado.

Seus olhos não tinham o mesmo ar dissimulado de outros, mas ainda eram verdes e perspicazes, apaixonantes. Não os vi por um tempo naquela tarde. Tenho certeza que as noites seriam incrivelmente deliciosas, mas à noite voltávamos a sorrir os beijos dissimulados no rosto, cumprimentos calorosos como os de confidentes e os de amigos, amigos, nós, amigos, amantes.
As tardes eram nossas. As tardes eram lindas. O sol nunca fora tão frio. Mas essa tarde estávamos atrasados.

- Pára de pensar agora, já está escurecendo.
- Cala a boca, vem log
-- Puxei-a com vontade de virar a noite. Impossível.

Rimos quando rolamos e caimos no chão, tivemos de rir, ela por cima  de mim, suas pernas me rodeando. Ajeitou-se de joelhos sobre mim, olhando e parando de rir aos poucos. Agora sorria, apenas. O chão estava bom. Passou a mão rápida e me vi com a calça aberta, sob suas pernas nada flutuantes. Seu peso imprimia os contornos das suas coxas nas minhas. Levantou-se e puxava os jeans até jogá-los longe.
Antes de continuarmos eu fiz com que parasse. Passava as mãos pela sua cintura, fazendo a saia descer os quadris aos poucos, apertava-lha logo ali.

- Desabotoa antes. - E eu tentei chegar minhas mãos na casa estreita do botão, mas segurou meus pulsos e irritou toda sua malícia, deixando-me indiscutivelmente com minhas mil vontades de rasgar logo aqueles panos. Como? - Você não tem apenas mãos. - E sorriu, era radioativa. Seu sorriso era a chave para tal paradigma. Ok, não era nada não difícil de se perceber, mas eu estava com baixa oxigenação no cérebro.

Mordisquei o botão, não saiu, tentei pressioná-lo com a língua, nada. Quase sem paciência, embora estivesse adorando a situação, mordi o cós da saia e puxei com alguma força.

- Cuidado! - não rasgou, abriu. Ela riu, mas não parou para reparar se havia rasgado, que importava?
Deitados no chão, meio anti-anatômicos e demasiados anacrônicos (ou era nosso desejo) cruzamos algumas horas daquele fim de tarde a nos morder, no chão.

Já eram quase nove horas e voltamos para a cama e o lençol claro. Voltamos à posição inicial. "Trust me".
- É tão lindinha. - não me impedi, beijei-lhe a Malvina, que gemeu, junto com ela.
Mais alguns beijinhos e uns gemigos, e eram nove horas ainda.

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"Será que vela como eu? Será que chama como eu? Será que pergunta por mim?"


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