quinta-feira, junho 7

Concordância poética na prosaica poesia de nós dois. (ou "Essências")

Sorvia.
Sorria.
Danava.
Dançava.
Dois.

Queria tanto que fosses minha, tu e aquela tua saia de tule. Quis tanto que fosses minha, e apenas. Qui-la, quero.

Sorviamos.
Sorriamos.
Danávamos.
Dançávamos.
Um.

Entreguei-me e bebi-te do mais belo puro desejo, sorviamos a noite como sorriamos o dia, danávamos os pés no tablado mau-encerado, crispado e riscado, dançávamos como se um dia não fosse mais um dia, como se, à noite, tudo fosse acabar.
Nós, dois, um.

Sorviam.
Sorriam.
Danavam.
Dançavam.
Nenhum.

Sem mais mesas nem mais bailinho, nem uvas nem raposas e nem a lambretinha. Sem corpete, à chanel e à lancaster. Sorvia teu busto, sorria teu umbigo, danava minh'alma, dançávamos. Não haveria nunca nenhum outro sorriso, ou bebida, nenhuma dança nem outro dano maior que o dessa noite. Nenhum.

Sorve.
Sorri.
Dana.
Dança.
Eu.

Quero que tu, querida, faças o que eu quero. Sorve e sorri, dana e dança. Eu. Ordens de uma vontade de ordem maior, maior patamar, maior insígnia. Sem isto serei eu insignificantemente um omissor nada promissor.

Sorverei.
Sorrirei.
Danarei.
Dançarei.
Nós.

O colchão bebe a nossa noite belíssima. Sorrindo estamos. Bebemos demais. Sorvemos demais. Danamos e dançamos demais. Fomos poetas, sonhamos e amamos na vida.

Dois.
Um.
Nenhum.
Eu.
Nós.

Nós, eu nenhum, dois, um. Não havia mais ninguém além de nós, não havia mais de um corpo entremeado no colchão. Abrimos. Nós. Sorrimos, nós. Danamo-nos. Sorvemo-nos. Dançaríamos mais, nós. Nós, apenas. 
E no fim... Nós dormiu.


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Pensem mais. ;D
Geez, eu adoro esses títulos, ou aqueles ;D

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