quinta-feira, junho 28

Histórias de Coquetel #1

Rubricou. Virou e leu, rubricou com um ar mefistofélico.
- O que mais é necessário? - e o outro sorriu desenfastiado e com certa ganância.
- Mais nada, senhor, tenha uma boa noite.
- Igualmente, Vermelho.

Aquele conseguiu seus louros e até Mercúrio pagava-lhe a presença, Netuno sorriu seus passos e até aquele outro, (como se chama? ... ah) Zeus, iluminou uma noite com trovões belos para ele.

Escreveu cá com seus botões, a carta de que dependia algumas decisões, iniciava-a:

"Falta tão pouco tempo, tão pouca coisa, mas não quero me apressar a sorrir demais, o tempo sempre me foi infiél, tampouco quero aquela desatenção ou aquele tão pouquíssimo afeto que faltou-nos outrora. Eu quero tudo no próximo hotel, seja por mar, por terra, ou via Embratel."

A citação fê-lo sorrir perante à folha de papel. Polvilhou algumas metáforas, umas musicalidades e outras centelhas de um querer embebecido na mais carnal vontade. Estava pronta; concebera, naquela noite, uma alforria, libertaria a tristeza pungente de seus sonhos, libertou-se também.

"Enfim, quero você."


Findou sorrindo, passou duas quadras e foi esperar por ela, a destinatária. Pegou na revista e passou o tempo com palavras-cruzadas, vendo o AMOR pendurando-se no TEMPO, para rimar com a dor que tinha na CABEÇA, que segurava o AMOR com vontade. Qual será essa palavra? Cinco letras apenas, qual será? A partir do "M", fez os "O", "R", "T", e prestes a traçar o meio do "E", ela chegou, não traçou-o.
Olhou pra a carta, olhou para ela, sorriu para ambas, deu-lha. Olhou de volta para a revista e pensou em terminar, mas a preguiça fora maior.
- Vamos, leia logo, eu espero.
Gostava de ver a expressão de seus destinatários, era algo mágico para ele, tentava decifrar o sorriso, desvendar a veracidade deles. Este sorriso dela foi molhado e radiante, como arco-íris no meio da tarde. Beijou-lhe, recebeu-o de volta, sorriram.

Pensou na rubrica, de noite, quando cobriu a sua destinatária do frio da janela aberta. Sorriu sinistro e pegou de volta a revista. Apagou o resto da MORTE e analisou bem a rede. Não pendia MORTE daquele AMOR cinza do lápis, pendeu MESMO do amor maravilhoso.
Já clareava um dia nublado, dias nublados o alegravam. Rabiscou num pedaço da revista e saiu do quarto, deixando-a sobre o travesseiro.
Ela acordou com a revista na cara, viu o AMOR rabiscado bem forte nos quadros de papel, e viu um recado:

"Pra continuar com você não farei um pacto com o demônio, mas o quebrarei.
Fui buscar o café, me espere sem banho,
com AMOR,
o
Remetente."


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Pensei nisso agora, achei divertido. :)

2 comentários:

CuteDevil disse...

você sempre escreveu bem (;

Anônimo disse...

exelente João,qualquer dia gostaria que colocasse u texto seu no meu blog..

abç